Como Surgiu a Referência das 40 Horas em ABA – e o que a ciência mais recente nos permite concluir

Poucas idéias influenciaram tanto a prática da intervenção precoce para crianças autistas quanto a recomendação de aproximadamente 40 horas semanais de intervenção comportamental.

Durante décadas, essa referência orientou decisões clínicas, planejamento terapêutico, negociações com financiadores e expectativas de famílias e profissionais. Mais do que um número, ela representou um momento importante da evolução da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), marcado pela demonstração de que intervenções intensivas poderiam produzir mudanças significativas no desenvolvimento de muitas crianças (Lovaas, 1987).

Como acontece em qualquer ciência madura, entretanto, novas pesquisas não servem apenas para confirmar conhecimentos já estabelecidos. Elas também refinam perguntas, esclarecem os limites das evidências e ampliam nossa compreensão sobre fenômenos complexos.

Talvez seja exatamente isso que esteja acontecendo com a discussão sobre a intensidade da intervenção em ABA.

Hoje, a pergunta central já não parece ser se intervenções baseadas nos princípios da Análise do Comportamento produzem benefícios para crianças autistas. Décadas de pesquisas, revisões sistemáticas e meta-análises demonstram que podem produzir ganhos importantes em áreas como linguagem, habilidades adaptativas, aprendizagem e redução de comportamentos desafiadores, embora a magnitude desses efeitos varie entre estudos e entre crianças (Virués-Ortega, 2010; Reichow et al., 2018; Steinbrenner et al., 2020; Steinbrenner et al., 2023).

A pergunta que começa a mobilizar pesquisadores é outra:

Como decidir, de forma cientificamente fundamentada, qual intensidade de intervenção é mais apropriada para cada criança?

Essa mudança pode parecer sutil, mas representa uma evolução importante na forma como compreendemos a prática clínica. Em vez de procurar uma quantidade de horas que funcione para todos, a literatura recente parece estar direcionando nossa atenção para um desafio muito mais complexo: compreender quais variáveis realmente influenciam a resposta de cada criança ao tratamento.

Como chegamos às 40 horas?

Para compreender essa discussão, é importante voltar alguns anos na história.

Em 1987, Ole Ivar Lovaas publicou um estudo que se tornaria um dos trabalhos mais influentes da história da intervenção comportamental para o autismo. Comparando grupos de crianças que receberam diferentes intensidades de intervenção, o estudo encontrou resultados significativamente melhores para aquelas que participaram de um programa intensivo, com aproximadamente 40 horas semanais de atendimento individualizado (Lovaas, 1987).

Hoje conhecemos várias limitações metodológicas deste estudo. Os critérios de seleção dos participantes, as características específicas da intervenção e aspectos do delineamento experimental já foram amplamente discutidos pela literatura. Ainda assim, é impossível compreender a evolução da ABA sem reconhecer sua enorme contribuição histórica.

Naquele momento, o trabalho de Lovaas representou uma mudança profunda de perspectiva. Em uma época em que predominavam expectativas bastante limitadas sobre o desenvolvimento de crianças autistas, o estudo mostrou que uma intervenção comportamental estruturada e intensiva poderia produzir ganhos substanciais para muitas delas. Esse resultado influenciou profundamente pesquisadores, profissionais, famílias e formuladores de políticas públicas.

Ao longo das décadas seguintes, diversos estudos procuraram replicar e expandir esses achados. A literatura passou a consolidar o conceito de Early Intensive Behavioral Intervention (EIBI) — Intervenção Comportamental Precoce Intensiva — como um conjunto abrangente de procedimentos destinados a promover o desenvolvimento de crianças pequenas por meio de oportunidades intensivas de aprendizagem distribuídas ao longo da semana.

Revisões sistemáticas e meta-análises publicadas nos anos seguintes reforçaram que programas de EIBI podem produzir benefícios importantes, especialmente quando iniciados precocemente. Ao mesmo tempo, esses estudos também começaram a revelar algo igualmente importante: havia grande variabilidade entre os participantes, entre os programas implementados e entre os resultados obtidos (Virués-Ortega, 2010; Reichow et al., 2018).

Esse aspecto nem sempre recebeu a mesma atenção que a recomendação das “40 horas”.

Enquanto o número se popularizou, as nuances da literatura frequentemente ficaram em segundo plano.

Nos últimos anos, novas revisões sistemáticas passaram a ampliar ainda mais essa discussão. Entre elas destaca-se o Project AIM¹, um dos maiores esforços internacionais para sintetizar as evidências sobre intervenções para pessoas autistas.

Em vez de perguntar apenas se determinada intervenção funciona, o Project AIM analisou centenas de estudos buscando identificar quais intervenções produzem quais resultados, para quais objetivos e sob quais condições (Steinbrenner et al., 2020; Steinbrenner et al., 2023).

Essa forma de organizar a evidência representa um passo importante no amadurecimento da área. Ela desloca o foco da pergunta “qual intervenção é melhor?” para uma questão muito mais útil à prática clínica:

Para quem, em quais condições e para quais objetivos determinada intervenção parece produzir melhores resultados?

Essa mudança de perspectiva prepara o terreno para uma discussão que ganhou força nos últimos dois anos: afinal, o que a literatura mais recente nos permite concluir sobre a relação entre intensidade da intervenção e resultados?

O que mudou nos últimos anos?

Nos últimos anos, a discussão sobre a intensidade da intervenção ganhou novos contornos.

Isso não ocorreu porque pesquisadores passaram a questionar a eficácia da ABA ou da intervenção comportamental precoce intensiva. Ao contrário. O ponto de partida dessa nova discussão foi justamente o acúmulo de evidências produzidas ao longo de mais de quatro décadas.

À medida que o conhecimento científico amadurece, torna-se possível formular perguntas mais específicas. Em vez de investigar apenas se uma intervenção funciona, pesquisadores começam a perguntar para quem ela funciona melhor, em quais condições, para quais objetivos e com qual intensidade.

Foi nesse contexto que Sandbank e colaboradores (2024) publicaram uma das revisões mais discutidas dos últimos anos.

Os autores realizaram uma meta-análise envolvendo 144 estudos de intervenção precoce, reunindo dados de mais de 9.000 participantes provenientes de amostras compostas majoritariamente por crianças autistas. O objetivo era investigar se a quantidade de intervenção recebida estava consistentemente associada aos resultados obtidos.

A conclusão chamou a atenção da comunidade científica: considerando o conjunto de estudos disponíveis, não foram encontradas evidências robustas de que simplesmente aumentar a quantidade de horas estivesse associado, de forma consistente, a melhores resultados nos diferentes domínios avaliados (Sandbank et al., 2024).

Naturalmente, essa conclusão gerou intenso debate. Uma interpretação precipitada poderia levar à conclusão de que a intensidade da intervenção deixou de ser importante.

Mas essa não foi a interpretação predominante entre pesquisadores e organizações profissionais.

Pouco depois da publicação da meta-análise, a Association of Professional Behavior Analysts (APBA) e o Council of Autism Service Providers (CASP) publicaram análises discutindo como esses resultados deveriam ser interpretados.

A principal mensagem desses documentos foi clara: a ausência de uma relação linear entre número de horas e resultados não significa que programas intensivos deixaram de ser indicados ou eficazes.

Na realidade, crianças com necessidades amplas, múltiplos objetivos terapêuticos e programas verdadeiramente abrangentes podem continuar necessitando de intervenções de alta intensidade. O que os documentos destacam é que a indicação dessa intensidade deve decorrer de uma avaliação clínica individualizada, e não da aplicação automática de uma recomendação geral (APBA, 2024; CASP, 2024).

Esse talvez seja um dos aspectos mais interessantes da discussão atual. A literatura não parece estar substituindo “40 horas” por “20 horas” ou por qualquer outro número. Ela parece estar sugerindo que a própria pergunta sobre dosagem precisa ser reformulada.

Essa percepção foi reforçada por um estudo publicado por Samelson e colaboradores (2026), que analisou dados provenientes da prática clínica em serviços de ABA. Os autores avaliaram a relação entre intensidade da intervenção, comportamento adaptativo, alcance de objetivos terapêuticos e comportamentos perigosos. Os resultados mostraram um cenário mais complexo do que uma simples relação entre “mais horas” e “melhores resultados”.

Maior dosagem esteve associada ao alcance de um número maior de objetivos terapêuticos. Entretanto, essa relação não se repetiu de maneira consistente para todos os desfechos avaliados. Em comportamento adaptativo e comunicação, por exemplo, cargas horárias mais elevadas não se traduziram automaticamente em melhores resultados, enquanto a redução de comportamentos perigosos ocorreu ao longo do tratamento independentemente da intensidade inicialmente prescrita.

Outro achado particularmente interessante foi que as habilidades de comunicação apresentadas pela criança no início do tratamento mostraram importante valor preditivo para sua evolução clínica.

Esse resultado nos lembra algo que, intuitivamente, muitos clínicos já observavam na prática: duas crianças que recebem exatamente o mesmo número de horas podem apresentar trajetórias de desenvolvimento bastante diferentes.

As evidências mais recentes, portanto, parecem deslocar o foco da discussão.

Em vez de perguntar apenas “quantas horas essa criança recebe?”, talvez devêssemos começar perguntando:

  • Qual é o repertório inicial dessa criança?
  • Quais são seus principais objetivos terapêuticos?
  • Quais comportamentos representam maior risco para sua segurança ou participação social?
  • Quais oportunidades de aprendizagem existem fora das sessões?
  • Qual é a participação da família?
  • Como está a fidelidade de implementação do programa?
  • E, principalmente, o que os dados estão mostrando sobre sua resposta ao tratamento?

Essas perguntas não tornam a intensidade menos importante. Elas apenas sugerem que a intensidade é uma variável entre várias outras que influenciam os resultados clínicos. Talvez essa seja uma das mensagens mais relevantes da literatura recente.Durante muitos anos, discutimos predominantemente quantas horas deveriam ser recomendadas. Hoje, a discussão parece caminhar para algo mais complexo:

Como tomar decisões sobre intensidade de forma individualizada, transparente e continuamente orientada pelos dados.

O que essas evidências parecem nos ensinar?

Embora muitas perguntas permaneçam sem resposta definitiva, algumas mensagens começam a emergir com razoável consistência.

Primeiro, a literatura atual não sustenta a existência de uma dose universal aplicável a todas as crianças autistas. Crianças com o mesmo diagnóstico podem apresentar repertórios iniciais, necessidades de apoio e velocidades de aprendizagem muito diferentes.

Segundo, intensidade deve ser compreendida como uma decisão clínica, e não apenas administrativa. Essa decisão depende da integração de múltiplas informações, incluindo repertório adaptativo, linguagem, objetivos terapêuticos, comportamentos que representam risco, oportunidades de aprendizagem, participação da família e evolução observada ao longo do tratamento.

Terceiro, programas intensivos continuam sendo uma indicação importante para muitos clientes. Entretanto, sua recomendação deve ser sustentada por avaliação clínica, monitoramento contínuo dos resultados e justificativa técnica individualizada, em vez da adoção automática de uma referência histórica.

Quarto, intensidade não deve ser entendida como uma prescrição permanente. Assim como ocorre em outras áreas da saúde, ela precisa ser revisada periodicamente à medida que o cliente progride, novos objetivos surgem ou determinadas metas são alcançadas.

Essas conclusões ainda não encerram a discussão.

Ao contrário.

Talvez elas representem apenas o início de uma nova etapa, em que a principal pergunta deixa de ser qual é o número correto de horas e passa a ser como utilizar da melhor maneira possível cada hora de intervenção disponível para produzir mudanças clinicamente e socialmente significativas.

O papel da supervisão clínica em um cenário de maior complexidade

Se existe uma consequência prática que emerge dessa evolução da literatura, ela talvez seja o fortalecimento do papel da supervisão clínica.

Durante muitos anos, a discussão sobre intensidade esteve fortemente associada ao número de horas prescritas. Quando a prática clínica passa a reconhecer que a resposta ao tratamento depende da interação de múltiplas variáveis, aumenta também a responsabilidade do supervisor em integrar essas informações na tomada de decisão.

Essa talvez seja uma das mudanças mais importantes da prática baseada em evidências.

Quando não existe uma resposta única para todos os clientes, decisões clínicas deixam de ser fundamentadas em referências históricas isoladas e passam a exigir interpretação contínua dos dados produzidos durante a intervenção.

Isso significa que o supervisor precisa responder, continuamente, perguntas como:

  • A criança está adquirindo novas habilidades na velocidade esperada?
  • Os objetivos terapêuticos continuam sendo relevantes?
  • As habilidades estão sendo generalizadas para outros ambientes e pessoas?
  • A família consegue implementar estratégias no cotidiano?
  • A intensidade atual continua proporcional às necessidades da criança?
  • Existem barreiras relacionadas à fidelidade da implementação antes de considerarmos aumentar a carga horária?

Percebe-se, então, que a decisão sobre intensidade não ocorre apenas no início do tratamento.

Ela acompanha todo o processo clínico.

Em muitos casos, manter a mesma intensidade pode ser a decisão mais apropriada. Em outros, os dados podem justificar um aumento da intervenção. Em outros ainda, a evolução da criança pode indicar que parte das horas seja gradualmente substituída por oportunidades de aprendizagem em ambientes naturais, consultoria escolar, treinamento parental ou monitoramento periódico.

Em outras palavras, a intensidade deixa de ser uma característica fixa do programa e passa a ser uma variável dinâmica, continuamente ajustada em função da resposta do cliente. Essa forma de pensar está alinhada ao conceito contemporâneo de prática baseada em evidências em Análise do Comportamento Aplicada.

Segundo Slocum et al. (2014), decisões clínicas devem integrar três componentes inseparáveis:

  • as melhores evidências científicas disponíveis;
  • a competência clínica do analista do comportamento;
  • as características, valores e preferências do cliente e de sua família.

Nenhum desses componentes, isoladamente, é suficiente.

A melhor evidência disponível precisa ser interpretada por um profissional competente e aplicada a um cliente específico, com uma história de aprendizagem única, vivendo em um contexto familiar, escolar e social igualmente singular. Sob essa perspectiva, a supervisão deixa de ser apenas uma atividade administrativa ou de monitoramento técnico. Ela passa a constituir o principal mecanismo por meio do qual as evidências científicas são transformadas em decisões clínicas individualizadas.

Uma decisão técnica, mas também ética

A discussão sobre intensidade também possui uma dimensão ética que merece atenção. Cada hora de intervenção prescrita representa tempo da infância, investimento financeiro, disponibilidade da família, recursos do sistema de saúde e trabalho de profissionais qualificados. Da mesma forma, cada hora que deixa de ser oferecida também pode representar oportunidades de aprendizagem que não serão recuperadas. Por essa razão, decisões sobre dosagem não devem ser tomadas com base em tradição, preferência pessoal ou conveniência administrativa. Devem ser justificadas por avaliação clínica, monitoradas continuamente e revisadas sempre que novas evidências ou novos dados do próprio cliente indicarem essa necessidade. 

Talvez possamos compreender a intensidade da intervenção da mesma forma que compreendemos a prescrição de qualquer outro tratamento em saúde: uma decisão clínica que precisa ser suficientemente fundamentada para justificar seus benefícios, seus custos e seus objetivos.

Uma conversa que está apenas começando

Este texto não pretende responder definitivamente qual é a intensidade ideal de intervenção para crianças autistas. A literatura continua evoluindo, novos estudos certamente serão publicados e muitas perguntas permanecem em aberto. O objetivo deste artigo foi mais modesto — e talvez mais útil neste momento. Procuramos mostrar como a própria ciência vem refinando a forma de discutir a dosagem da intervenção em ABA. Se existe uma mensagem que parece emergir desse conjunto de evidências, talvez seja esta:

A intensidade da intervenção continua sendo uma variável importante, mas dificilmente pode ser compreendida de forma isolada.

Ela precisa ser analisada em conjunto com a qualidade da intervenção, os objetivos terapêuticos, o repertório inicial da criança, a participação da família, a fidelidade da implementação e, sobretudo, com os dados produzidos ao longo do tratamento.

Nesse contexto, talvez a pergunta mais relevante já não seja:

“Quantas horas esta criança deve receber?”

Mas sim:

“Como podemos justificar, com base nas melhores evidências disponíveis e nos dados produzidos por esta criança, que essa é a intensidade mais apropriada para este momento do seu desenvolvimento?”

Talvez o maior legado da discussão sobre as 40 horas não seja a defesa de um número específico. Talvez seja necessário lembrar que a ciência evolui continuamente. E que, à medida que novas evidências se acumulam, boas perguntas tornam-se tão importantes quanto boas respostas. Essa é a essência da prática baseada em evidências, a disposição para revisar, aperfeiçoar e aprofundar nossas decisões clínicas que caracteriza uma ciência madura — e uma prática verdadeiramente comprometida com o melhor interesse de cada cliente (Sackett e colaboradores, 1996). 

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¹ Project AIM (Autism Intervention Meta-analysis) é um projeto internacional de revisões sistemáticas coordenado pelo Frank Porter Graham Child Development Institute, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Seu objetivo é sintetizar criticamente as evidências disponíveis sobre intervenções para crianças e jovens autistas. Diferentemente de revisões focadas exclusivamente em uma abordagem terapêutica, o Project AIM analisa estudos de diferentes modalidades de intervenção e identifica quais práticas apresentam evidências de efetividade para desfechos específicos, como comunicação, habilidades sociais, comportamento adaptativo e aprendizagem. As revisões publicadas em 2020 e atualizadas em 2023 representam uma das sínteses mais abrangentes da literatura sobre intervenções em autismo disponíveis atualmente.

Referências

Association of Professional Behavior Analysts. (2024). Evidence about ABA treatment for young children with autism: The impact of treatment intensity. https://www.apbahome.net/news/—evidence-about-aba-treatment-for-young-children-with-autism-the-impact-of-treatment-intensity

Council of Autism Service Providers. (2024). Evidence about intensive early ABA intervention for young autistic children. https://www.casproviders.org/evidence-intensive-early-aba

Lovaas, O. I. (1987). Behavioral treatment and normal educational and intellectual functioning in young autistic children. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 55(1), 3–9. https://doi.org/10.1037/0022-006X.55.1.3

Reichow, B., Hume, K., Barton, E. E., & Boyd, B. A. (2018). Early intensive behavioral intervention (EIBI) for young children with autism spectrum disorders (ASD). Cochrane Database of Systematic Reviews, (5), CD009260. https://doi.org/10.1002/14651858.CD009260.pub3

Sackett, D. L., Rosenberg, W. M. C., Gray, J. A. M., Haynes, R. B., & Richardson, W. S. (1996). Evidence based medicine: What it is and what it isn’t. BMJ, 312(7023), 71–72. https://doi.org/10.1136/bmj.312.7023.71

Samelson, D., Zhang, Y., Love, J. R., Pellegrino, A. J., Gormley, M. E., & Rosenberg, N. E. (2026). Dosage in applied behavior analysis: Effect on adaptive behavior, goal attainment, and dangerous behavior. Journal of Autism and Developmental Disorders. Advance online publication. https://doi.org/10.1007/s10803-025-07203-1

Sandbank, M., Bottema-Beutel, K., Crowley, S., Cassidy, M., Dunham, K., Feldman, J. I., Crank, J., Albarran, S. A., Raj, S., Mahbub, P., & Woynaroski, T. G. (2024). Determining associations between intervention amount and outcomes for young autistic children: A meta-analysis. JAMA Pediatrics, 178(8), 859–867. https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2024.1739

Slocum, T. A., Detrich, R., Wilczynski, S. M., Spencer, T. D., Lewis, T., & Wolfe, K. (2014). The evidence-based practice of applied behavior analysis. The Behavior Analyst, 37(1), 41–56. https://doi.org/10.1007/s40614-014-0005-2

Steinbrenner, J. R., Hume, K., Odom, S. L., Morin, K. L., Nowell, S. W., Tomaszewski, B., Szendrey, S., McIntyre, N. S., Yucesoy-Özkan, S., & Savage, M. N. (2020). Evidence-based practices for children, youth, and young adults with autism. Frank Porter Graham Child Development Institute, University of North Carolina at Chapel Hill. https://fpg.unc.edu/publications/evidence-based-practices-children-youth-and-young-adults-autism

Steinbrenner, J. R., Hume, K., Odom, S. L., Morin, K. L., Nowell, S. W., Tomaszewski, B., Szendrey, S., McIntyre, N. S., Yucesoy-Özkan, S., & Savage, M. N. (2023). Evidence-based practices for children, youth, and young adults with autism: Third generation review. Frank Porter Graham Child Development Institute, University of North Carolina at Chapel Hill. https://fpg.unc.edu/projects/project-aim

Virués-Ortega, J. (2010). Applied behavior analytic intervention for autism in early childhood: Meta-analysis, meta-regression and dose-response meta-analysis of multiple outcomes. Clinical Psychology Review, 30(4), 387–399. https://doi.org/10.1016/j.cpr.2010.01.008

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