Mylena Lima

15/06/2024 - 02:18

Uso de vídeos como tecnologia aliada à supervisão

Novas tecnologias são frequentemente incorporadas por analistas do comportamento em sua prática clínica. Por exemplo, na intervenção clínica com aprendizes com TEA, a utilização de vídeos é comummente utilizada no registro de sessões e coleta de dados de pesquisa, no treinamento de staff e como estratégia no ensino de habilidades para clientes. Este último exemplo, aparece na literatura em estudos acerca da eficácia da videomodelação (Barboza, Silva, Barros e Higbee, 2015; Varella e Souza, 2018).

Outro exemplo bastante atual é a utilização de vídeos durante a prática supervisionada de profissionais que estão em busca de certificação (Cruz, Kriss, Welsh, Bailey e 2023).

Por meio da análise de vídeos, supervisores podem observar e prover feedback tanto para os desempenhos apropriados quanto para as dificuldades apresentadas pelos supervisionandos durante o desenvolvimento de suas competências profissionais. A utilização de vídeos é extremamente útil em um contexto no qual há grande escassez de supervisores experientes em um país com dimensões continentais como o Brasil. De fato, análise de vídeos é um ótimo recurso para o supervisor que precisa avaliar desempenhos que antes só poderiam ser observados de forma presencial, em encontros online.

O uso de vídeos na supervisão formativa de candidatos a supervisores e novos supervisores têm aparecido em pesquisas recentes. Uma aplicação que contribui para o desenvolvimento desta nova área de pesquisa que é a análise de componentes da supervisão eficaz. Dentro de uma ciência que preconiza a prática baseada em evidência, investigar a efetividade de estratégias para promover o desenvolvimento de competências essenciais ao bom supervisor é altamente relevante para promover o avanço de estratégias para a supervisão eficaz, e em última instância, para a segurança dos clientes atendidos por supervisores em formação.

No entanto, alguns cuidados são essenciais para a utilização de vídeos de modo geral. Além de respeitar a confidencialidade de clientes, os supervisores precisam estar atentos a outros aspectos importantes, seja na produção ou manuseio deste tipo de conteúdo.

No livro ‘RBTs Guide to Effective Supervision’, a Dra. Karly Cordova, uma das palestrantes do I Simpósio Engage, realizado mês passado, em Vitória (ES), enfatiza que não pode haver descuidos com a segurança e nem com a privacidade dos pacientes.

Confira os dez passos recomendados pela Dra. Cordova para a utilização de vídeos no treinamento de terapeutas e de aspirantes a supervisores.

1 – Selecionar uma plataforma de vídeo compatível com a legislação em vigor. A plataforma deve oferecer as salvaguardas necessárias para proteger as informações dos clientes;

2 – Habilitar a criptografia. Certifique-se de que a plataforma escolhida oferece criptografia de ponta a ponta;

3 – Usar login e autenticação seguras: Utilize medidas para garantir que apenas indivíduos autorizados podem acessar o conteúdo do vídeo e utilize a autenticação multifatorial para uma camada extra de segurança;

4 – Obtenha o consentimento informado: Se clientes serão filmados, antes de gravar ou compartilhar os vídeos, obtenha o consentimento, por escrito, do responsável legal. Neste documento devem ficar claras a finalidade, a utilização e as medidas de segurança para garantir a confidencialidade;

5 – Minimize as informações identificáveis: Durante a gravação do vídeo, evite dispor qualquer informação de identificação pessoal;

6 – Eduque os participantes: Todos os envolvidos na sessão de vídeo devem ser treinados sobre os regulamentos e práticas recomendadas para manter a privacidade e a segurança;

7 – Apenas utilize formas de armazenamento e transmissão seguras: Assim que a gravação terminar, armazene o arquivo com segurança com criptografia e protegido por senha. Se precisar transmitir o vídeo, use um método seguro como um serviço de compartilhamento de arquivos protegido por senha;

8 – Mantenha registro de acesso e auditoria. A plataforma deve ter recursos para rastrear o acesso e monitorar qualquer atividade suspeita. Revise regularmente os acessos;

9 – Atualize as medidas de segurança. Mantenha software e sistema atualizados para que você tenha recursos de segurança e proteção contra possíveis ameaças;

10 – Treine a equipe de acordo com a legislação vigente. Este treinamento deve observar o manuseio adequado das informações do cliente, protocolos de segurança e diretrizes para gravação e compartilhamento de vídeos.

Saiba Mais:

Barboza, A. A. (2015). Efeitos de videomodelação instrucional sobre o desempenho de cuidadores na aplicação de programas de ensino a crianças diagnosticadas com autismo.

Cordova, K. (2023). RBTs Guide to Effective Supervision. KHY ABA Consulting Group, Inc.

Cruz, Y., Kriss, J., Welsh, T. M., & Bailey, J. S. (2023). Teaching Supervisory Skills to Behavior Analysts and Improving Therapist-Delivered Discrete Trial Teaching. Journal of Organizational Behavior Management, 1-23.

Varella, A. A., & de Souza, C. M. C. (2018). Ensino por tentativas discretas: Revisão sistemática dos estudos sobre treinamento com vídeo modelação. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 20(3), 73-85.

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