Mylena Lima

15/06/2024 - 00:47

Uma a cada 36 pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo

Um número que não para de crescer é o de autistas (ver gráfico). A pesquisa desenvolvida pelo Centro de Controle de Prevenção e Doenças (CDC) do Governo dos EUA divulgou, no final de março, novos dados sobre o estudo que vem desenvolvendo nos Estados Unidos há algumas décadas. E o resultado mais recente aponta que uma em cada 36 crianças, com 08 anos de idade, tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que corresponde a 2,8% da população.

Esse estudo é a principal referência mundial a respeito da prevalência de autismo. Os dados divulgados, com informações de mais de 226 mil crianças que participaram da pesquisa, são referentes ao ano de 2020. O estudo anterior apontou a prevalência de uma em cada 44 crianças, mantendo o percentual crescente, desde 2004 (ver gráfico), da população autista.

Mas por que esse diagnóstico cresce tanto?

É difícil apontar respostas definitivas. O que mais fortalece esse aumento, e que é uma opinião de muitos especialistas, seria a maior conscientização sobre o TEA. Afinal, antes de pensarmos em fatores biológicos ou em alterações ambientais que possam favorecer esse crescimento, precisamos ter cuidado em construir conspirações e em espalhar informações falsas. Até porque não há pesquisas, nem mesmo feitas pela CDC, que expliquem o motivo desse crescimento. Esse é um ponto, por sinal, que precisa ser avançado!

O que se avalia é que os dados refletem, apenas, o quanto foi melhorada a triagem para o desenvolvimento e realização do estudo aplicado nos Estados Unidos. Além, é claro, de uma conscientização por parte da população e dos profissionais da área, assim como do acesso aos serviços de saúde por parte das populações minoritárias.

E esse acesso é refletido em uma das novidades apresentadas pelo estudo, nesta mais recente apresentação. Pela primeira vez, o CDC indica que a prevalência entre crianças asiáticas (3,3%) e hispânicas (3,2%) é maior que entre negras (2,9%) e brancas (2,4%). Além disso, a divisão entre gêneros mantém um número maior entre os meninos: 3,8 diagnósticos confirmados entre eles, para cada 1 diagnóstico confirmado entre as meninas.

E no Brasil?

Não há números que apontem a prevalência do Transtorno do Espectro do Autismo em nosso país. E exatamente por isso fica difícil apontar a prevalência do TEA na população brasileira. O que torna difícil trabalhar com políticas públicas que possam atender a essa população.

A expectativa é de que o novo CENSO, que ainda está em andamento, traga uma estimativa populacional do número de autistas no Brasil. E com previsão de os resultados serem apresentados somente em 2025.

Mas esses números serão apenas uma possibilidade, bem longe do ideal. Isso porque no CENSO as pessoas se autodeclaram autistas, e famílias podem não declarar se há um familiar autista entre seus membros. Para ter esse recorte nacional é fundamental que o diagnóstico seja feito por um profissional ou por uma equipe de saúde qualificada para a identificação das características do autismo.

Até isso acontecer nos resta estimar essa quantidade a partir de outros dados, a exemplo dos trabalhados pelo CDC. Seguindo esses números, com a proporção de uma em cada 36 crianças com TEA, podemos prever que a população brasileira tem aproximadamente 6 milhões de autistas.

O que é TEA?

O autismo é um Transtorno do Neurodesenvolvimento, caracterizado por déficits na comunicação social, presença de comportamentos repetitivos e interesses restritos.

Autistas podem requerer diferentes níveis de suporte ao longo da vida, que dependem de condições diferentes, a exemplo do grau de socialização, autonomia, funções cognitivas e o desenvolvimento da comunicação receptiva e expressiva.

Isso apenas para citar algumas características, visto que não há só uma, mas muitas formas de como o autismo pode ocorrer. Exatamente por ser tão abrangente, usa-se o termo “espectro” para tentar abordar a neurodiversidade no autismo.

Há muitos casos de pessoas autistas que são independentes, seguem uma vida comum e significativa. E algumas delas nem sabem que são autistas, pois jamais tiveram diagnóstico. Por outro lado, muitas pessoas precisarão de muitos recursos para viverem de modo seguro e com saúde por toda a vida.

Fontes

Canal Autismo: www.canalautismo.org.br

Centers for Disease: www.cdc.gov

Dica de Leitura!

Leia mais: https://www.mdpi.com/2076-3425/10/5/274

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