Mylena Lima

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Escola é espaço de vida!

Os recentes ataques que ocorreram em escolas brasileiras impactam diretamente no nosso dia a dia. É de assustar e desestruturar o emocional de qualquer pessoa, mais ainda por conta das fake news que passam a espalhar o medo e a disseminar o ódio em espaços onde se promove a vida.

Não cabe questionar o que é de responsabilidade das escolas. Mas cabe questionar o que ocorre em nossa sociedade, ao ponto de suscitar esses ataques. Não é a educação que está em crise. É o ser humano que está em crise.

O que reforça a necessidade de criarmos mecanismos que permitam a identificação de questões comportamentais e, também, de transtornos mentais dentro do ambiente escolar. Especialmente para fazer frente a esse movimento neofascista e neonazista que vem se apresentando em nosso país, muito fomentado pela internet e por grupos que promovem esses comportamentos violentos contra crianças e adolescentes, além de profissionais da educação, no ambiente escolar.

A Escola pode, sim, ser um espaço de diálogo e de construção de uma sociedade mais diversa, civilizatória e inclusiva. Até porque esses ataques não vêm de situação de deterioração da Escola. Esses ataques não partem da relação da Escola com a sociedade. Eles são resultado da mudança do nosso processo civilizatório, que interferem em como nos relacionamos e, também, em como lidamos com esses processos.

Há o caminho de se construir uma Política Nacional de Enfrentamento da Violência contra as Escolas, a qual é de extrema urgência. Por sinal, diante desse assunto, é crucial que municípios e estados passem a cumprir a Lei 13.935, de 2019. Ela obriga a presença de assistentes sociais e psicólogas/os nas equipes multidisciplinares das escolas públicas da educação básica de todo país.

E esses profissionais podem contribuir diretamente no fortalecimento dos processos de ensino-aprendizagem e na melhoria do cotidiano escolar. Uma contribuição que se estende das relações escolares e que transborda nas relações familiares e comunitárias.

A equipe da ML Consultoria segue solidária com os profissionais de educação, crianças e adolescentes, assim como seus pais, que foram vítimas desses ataques recentes. Repudiamos toda e qualquer forma de violência! E queremos ações públicas e privadas que sejam a favor da vida!

Dica de Leitura!

Leia mais sobre intervenções informadas sobre trauma:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34525220/

Uma a cada 36 pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo

Um número que não para de crescer é o de autistas (ver gráfico). A pesquisa desenvolvida pelo Centro de Controle de Prevenção e Doenças (CDC) do Governo dos EUA divulgou, no final de março, novos dados sobre o estudo que vem desenvolvendo nos Estados Unidos há algumas décadas. E o resultado mais recente aponta que uma em cada 36 crianças, com 08 anos de idade, tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que corresponde a 2,8% da população.

Esse estudo é a principal referência mundial a respeito da prevalência de autismo. Os dados divulgados, com informações de mais de 226 mil crianças que participaram da pesquisa, são referentes ao ano de 2020. O estudo anterior apontou a prevalência de uma em cada 44 crianças, mantendo o percentual crescente, desde 2004 (ver gráfico), da população autista.

Mas por que esse diagnóstico cresce tanto?

É difícil apontar respostas definitivas. O que mais fortalece esse aumento, e que é uma opinião de muitos especialistas, seria a maior conscientização sobre o TEA. Afinal, antes de pensarmos em fatores biológicos ou em alterações ambientais que possam favorecer esse crescimento, precisamos ter cuidado em construir conspirações e em espalhar informações falsas. Até porque não há pesquisas, nem mesmo feitas pela CDC, que expliquem o motivo desse crescimento. Esse é um ponto, por sinal, que precisa ser avançado!

O que se avalia é que os dados refletem, apenas, o quanto foi melhorada a triagem para o desenvolvimento e realização do estudo aplicado nos Estados Unidos. Além, é claro, de uma conscientização por parte da população e dos profissionais da área, assim como do acesso aos serviços de saúde por parte das populações minoritárias.

E esse acesso é refletido em uma das novidades apresentadas pelo estudo, nesta mais recente apresentação. Pela primeira vez, o CDC indica que a prevalência entre crianças asiáticas (3,3%) e hispânicas (3,2%) é maior que entre negras (2,9%) e brancas (2,4%). Além disso, a divisão entre gêneros mantém um número maior entre os meninos: 3,8 diagnósticos confirmados entre eles, para cada 1 diagnóstico confirmado entre as meninas.

E no Brasil?

Não há números que apontem a prevalência do Transtorno do Espectro do Autismo em nosso país. E exatamente por isso fica difícil apontar a prevalência do TEA na população brasileira. O que torna difícil trabalhar com políticas públicas que possam atender a essa população.

A expectativa é de que o novo CENSO, que ainda está em andamento, traga uma estimativa populacional do número de autistas no Brasil. E com previsão de os resultados serem apresentados somente em 2025.

Mas esses números serão apenas uma possibilidade, bem longe do ideal. Isso porque no CENSO as pessoas se autodeclaram autistas, e famílias podem não declarar se há um familiar autista entre seus membros. Para ter esse recorte nacional é fundamental que o diagnóstico seja feito por um profissional ou por uma equipe de saúde qualificada para a identificação das características do autismo.

Até isso acontecer nos resta estimar essa quantidade a partir de outros dados, a exemplo dos trabalhados pelo CDC. Seguindo esses números, com a proporção de uma em cada 36 crianças com TEA, podemos prever que a população brasileira tem aproximadamente 6 milhões de autistas.

O que é TEA?

O autismo é um Transtorno do Neurodesenvolvimento, caracterizado por déficits na comunicação social, presença de comportamentos repetitivos e interesses restritos.

Autistas podem requerer diferentes níveis de suporte ao longo da vida, que dependem de condições diferentes, a exemplo do grau de socialização, autonomia, funções cognitivas e o desenvolvimento da comunicação receptiva e expressiva.

Isso apenas para citar algumas características, visto que não há só uma, mas muitas formas de como o autismo pode ocorrer. Exatamente por ser tão abrangente, usa-se o termo “espectro” para tentar abordar a neurodiversidade no autismo.

Há muitos casos de pessoas autistas que são independentes, seguem uma vida comum e significativa. E algumas delas nem sabem que são autistas, pois jamais tiveram diagnóstico. Por outro lado, muitas pessoas precisarão de muitos recursos para viverem de modo seguro e com saúde por toda a vida.

Fontes

Canal Autismo: www.canalautismo.org.br

Centers for Disease: www.cdc.gov

Dica de Leitura!

Leia mais: https://www.mdpi.com/2076-3425/10/5/274

Autismo e vida adulta: uma outra perspectiva

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a capacidade de um indivíduo se comunicar, interagir e formar relacionamentos com outras pessoas. Comumente, indivíduos com TEA enfrentam desafios que podem afetar sua mudança para a vida adulta.

Essas dificuldades envolvem, por exemplo, ter acesso à oportunidade de desenvolver competências, relacionadas à participação em contextos sociais. Esta transição para indivíduos com TEA se traduz em um processo complexo que envolve muitos aspectos da vida, incluindo emprego, educação, relacionamentos e envolvimento na comunidade.

Em abril, mês em que discutimos questões importantes sobre a aceitação da pessoa autista na sociedade, é importante explorar o processo de amadurecimento para jovens e adultos com TEA. No Brasil o processo é ainda mais desafiador que em países onde os sistemas de suporte estão ancorados em políticas públicas bem estabelecidas e implementadas por instituições com papéis sociais bem definidos.

Um dos fatores críticos que afetam a chegada do autista à vida adulta é o acesso à oportunidade de preparação para o emprego, além da oportunidade de empregar-se. Indivíduos com TEA geralmente enfrentam dificuldades em encontrar e manter um emprego devido aos desafios de comunicação e socialização. No entanto, com suporte adequado, os indivíduos com TEA podem alcançar o sucesso na força de trabalho.

A educação é outro aspecto crítico do processo. Indivíduos com TEA muitas vezes podem se beneficiar de suporte educacional adicional na forma de orientação, treinamento em habilidades de estudo e assistência na socialização. Este tipo de apoio pode ajudar o indivíduo a gerir suas dificuldades de comunicação e sensoriais, o que pode melhorar seu desempenho acadêmico e promover o sucesso.

Os relacionamentos também são essenciais durante a fase de crescimento. Pessoas com TEA podem ter dificuldade em formar e manter relacionamentos devido a dificuldades em compreender pistas sociais e a comunicação verbal e não-verbal. No entanto, com suporte adequado, indivíduos com TEA podem ser bem-sucedidos em formar relacionamentos positivos que podem ajudá-los a enfrentar os desafios da vida.

O envolvimento da comunidade é outro aspecto crucial do processo de transição. O isolamento social é uma preocupação significativa para indivíduos com TEA e está intimamente relacionado à sua saúde mental. Por isso, o envolvimento da comunidade pode ajudar a prevenir os efeitos negativos da exclusão social. A participação em atividades e programas comunitários pode oferecer oportunidades de socialização e construção de relacionamentos, bem como o desenvolvimento de habilidades valiosas para uma vida plena.

E, finalmente, a passagem para a idade adulta para indivíduos com TEA requer uma abordagem individualizada e coordenada, que deve ser iniciada o mais cedo possível. É fundamental que familiares, educadores e provedores de suporte comunitário colaborem para desenvolver planos que considerem as necessidades e pontos fortes únicos do indivíduo.

Para apoiar essa significativa mudança, é importante seguir algumas práticas recomendadas por especialistas no âmbito da saúde comportamental. Entre elas, destacam-se: planejamento antecipado e colaboração com as partes interessadas, elaboração de planos individualizados que levem em conta as preferências e valores pessoais, identificação de possíveis obstáculos e busca de soluções para superá-los, conscientização e participação ativa dos pais e familiares no processo de planejamento, além do acesso a uma variedade de suportes e recursos, como treinamento vocacional, saúde mental e outros serviços.

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